A cultura dos índios nos livros

Entrando no clima do Dia do Índio as nossas dicas para leitura falam sobre as tradições deve povo, que de uma maneira simples, mantém viva a essência do povo brasileiro.

Os Meninos Que Viraram Estrelas, de Sávia Dumont (Editora Companhia das Letras) – Sávia Dumont reconta treze histórias recolhidas em todo o Brasil, protagonizadas por figuras como a mula-sem-cabeça, o lobisomem, a cuca, o mão-pelada, o minhocão e a carnaubeira. Segundo a lenda que dá título ao livro, originária da tradição indígena do Mato Grosso, certo dia as índias da tribo colheram milho para fazer quitutes para seus maridos, que estavam caçando. Debulharam as espigas, puseram os grãos para secar e foram se banhar no rio. Os curumins insistiram com a avó para que fizesse logo um bolo. A velhinha cedeu, e eles o devoraram em um segundo. Veio então o papagaio da aldeia e contou tudo às índias, que, furiosas, procuraram os indiozinhos para lhes dar uma boa surra. Eles porém já haviam feito uma comprida corda de cipó e pedido ao beija-flor que a carregasse pelo bico. Lá estava a avezinha, “levando para o céu o cipó apinhado de meninos”. As índias chamaram o beija-flor de volta, desesperadas, mas quanto mais chamavam, mais alto ele voava. Os meninos iam subindo e chorando, “e cada lágrima que caía virava uma estrela solta no ar. Fascinados, os curumins continuaram a brincadeira e não voltaram mais para a aldeia. Ficaram morando no céu. De noite, quando a saudade bate forte, mães e filhos trocam olhares”. Diz a lenda que “em cada estrela que brilha desvenda-se um segredo do Universo”.

Kabá Darebu, de Daniel Munduruku – Nossos pais nos ensinam a fazer silêncio para ouvir os sons da natureza; nos ensinam a olhar, conversar e ouvir o que o rio tem para nos contar; nos ensinam a olhar os voos dos pássaros para ouvir notícias do céu; nos ensinam a contemplar a noite, a lua, as estrelas… Kabá Darebu é um menino-índio que nos conta, com sabedoria e poesia, o jeito de ser de sua gente, os munduruku.

Puratig o remo sagrado, de Yaguarê Yamã – O mito do guaraná, um dos mais típicos frutos brasileiros, é aqui contado pela voz de um índio do povo Saterê Mawé, conhecido como “povo do guaraná”, ao qual se juntam mais sete belíssimas histórias que compõem a tradição ancestral dos índios que ocupam atualmente uma faixa demarcada pela Funai, situada nos Estados do Amazonas e do Pará. Ilustrado por Queila da Glória, pelo próprio autor, especialista em pintura corporal, e pelas crianças Mawé.

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