Dicas de Leitura

Leituras para conhecer o escritor Paulo Leminski

Até o dia 16 de março acontece, no Recife, a Mostra Literária Paulo Leminski, que ficará aberta ao público no Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira do Sesc Santa Rita. A exposição conta com 16 ilustrações produzidas pelo artista plástico Fabio Dudas, que retratam a vida e a obra do escritor paranaense. Trata-se de iniciativa do Departamento Nacional do Sesc, que está circulado pelo país desde o ano passado. Aproveitando o ensejo, para quem já viu ou irá ainda prestigiar, essa semana indicaremos livros do autor para você ler e conhecer um pouco mais sobre sua obra.

A primeira indicação é o Guerra dentro da gente. Baita, um menino pobre, filho de lenhadores, encontrou um dia um velho que se ofereceu para lhe ensinar a difícil arte da guerra. Entusiasmado com a ideia e sem saber o que o aguardava, o menino resolveu acompanhá-lo numa viagem que o ajudaria a amadurecer, a compreender melhor a vida e a descobrir o que vai no coração do homem.

Outra sugestão é Vida-Cruz e Sousa Basho Jesus e Trotski. Quando a Companhia das Letras lançou ‘Toda poesia’, em fevereiro de 2013, alguns dos livros ali reunidos – como ‘Caprichos & relaxos’ e ‘Distraídos venceremos’ – estavam fora de catálogo e vinham sendo procurados pelo amplo público leitor de Paulo Leminski há mais de dez anos. Fenômeno semelhante ocorre com as quatro biografias que Leminski escreveu para a Coleção Encanto Radical ao longo da década de 1980; livros como ‘Bashô – a lágrima do peixe’ são raridades, e voltam ao mercado com a reedição de um volume único. Sob o olhar poético e apaixonado de um mesmo admirador, essas quatro trajetórias aparentemente desconexas ganham novas dimensões, criam elos e se complementam, em comunicação permanente com a vida e a obra de seu biógrafo. Trótski é visto como um homem de letras, autor do ‘mais extraordinário livro sobre literatura’ já escrito por um político. Cruz e Sousa é personagem central de um movimento que Leminski chama de ‘underground’ e que muito o influenciaria; o simbolismo. Bashô, antes de se tornar pai do haikai, foi membro da classe samurai. E Jesus é um ‘superpoeta’. Enquanto traz à tona lados de quatro de seus heróis, Leminski revela muito de si mesmo, tão múltiplo e fascinante quanto os biografados, e fornece a seus fãs, em narrativas aliciantes e cheias de estilo, uma gênese de suas principais influências.

Por fim, a dica é Melhores Poemas Paulo Leminski-Pocket. Paulo Leminski foi uma das grandes surpresas da poesia brasileira nos últimos trinta anos. Pertencendo a uma geração de insatisfeitos e irreverentes levou a insatisfação e a irreverência àquele ponto extremo para o qual só há uma saída: renovar ou se retirar. Renovou. Teve o dom mágico de mostrar ao país uma voz inconfundível, personalíssima, fluente e cheia de sonoridades misteriosas, como os rios. E como os rios, enriquecida por muitos afluentes: dos haikais de Bashô às experiências concretistas.

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