Dicas de Leitura

Leituras birutas com areias e mentiras

A primeira sugestão da semana é uma sublime obra literária: Areia, de Wolfgang Herrndorf, um spy thriller com uma pitada de romance social, A trama se desenrola em um país imaginário no Norte da África em 1972. Enquanto em Munique palestinos do Setembro Negro atacam a Vila Olímpica, coisas misteriosas acontecem no Saara. Quatro pessoas são mortas numa comuna hippie, uma mala de dinheiro desaparece e um policial de inteligência rasteira tenta esclarecer o caso. Ao mesmo tempo, uma americana platinada e um homem sem memória lançam-se à procura alucinante e dolorosa de uma mina.

areia

Na sequencia, a dica é Histórias curtas e birutas, de Sylvia Orthof, ilustrado por Cláudia Scatamacchia. Três são as Histórias Curtas e Birutas, de Sylvia Orthof. Tanto o título do livro quanto os das histórias antecipam o conteúdo e convidam a criança a entrar em um mundo mágico e lúdico. Na primeira história, a “Bruxa Uxa e o Elefantinozinhozinhozinho”, a escolha das palavras que compõem o título já contrapõe o mundo das crianças e o dos adultos. Em “Tato, o Pintor de Palhaços”, a palavra “palhaço” abre o mundo mágico do circo e da fantasia.

historias

Por fim, em “Vovó General e Vovó Vedete”, a distância entre as duas realidades – a do general e a da vedete – também acessa um mundo mágico, onde tudo é possível. A escritora, com muita imaginação, humor e crítica, permite que a criança, experimentando outras situações – como brincar com criança, experimentando outras situações – como brincar com bruxas, com animais que falam e se transformam, com vovôs e vovós diferentes – interaja com o texto e, ao voltar ao real, encontre possibilidades de interação como seu próprio mundo, como seu cotidiano.

mentiras

Por fim, a indicação é Mentiras… e mentiras, de Tatiana Belinky, ilustrado por Sergio Kon. Toda criança aprende desde cedo a não mentir – mas será que isso significa que devemos contar a verdade em absolutamente todas as ocasiões? Em Mentiras… e mentiras, Tatiana Belinky apresenta situações em que a mentira deixa de ser imoral: se mentimos para ajudar alguém ou mesmo para atenuar uma situação difícil, de sofrimento, a “mentira” pode até ser, de certa forma, positiva. As crônicas contêm vários tipos de “mentira”. Entre os grandes mentirosos citados no livro estão personagens clássicos da literatura, como Pinóquio, o Gato de Botas, o barão de Münchhausen e a boneca Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo – e também a própria autora, que confessa algumas das mentiras que contou (ou ouviu) ao longo de seus 85 anos de vida. São narrativas que funcionam como fábulas, pois ilustram dois preceitos morais (mas não moralistas): de um lado, o de que a mentira é relativa, e de outro, o de que a omissão de algo que se sabe não implica necessariamente um deslize ético.

Compartilhe:

Failed to connect to api.facebook.com port 80 after 5206 ms: Connection timed out