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Bate papo com Severino Rodrigues

Conversamos com o autor juvenil Severino Rodrigues sobre a sua mais nova obra: Bateria 100% Carregada. O livro conta a história de dois pré-adolescentes. Um deles é Danilo, que vai um pouco além do estereótipo do garoto-problema na escola, mas a questão é que ele não faz nada por querer; ele só é hiperdistraído. Já Ariadne é uma boa aluna e adora as aulas de português, tanto que decide fazer vídeos para postar sobre suas leituras na internet. Porém, logo começam a aparecer comentários violentos e racistas de algum anônimo. Enquanto Danilo e Ariadne enfrentam seus conflitos, a vida escolar não para, exigindo desses estudantes protagonistas muito foco quando tudo o que eles querem é desistir. Mas a gente vai parar de falar por aqui para você conhecer mais sobre esses dois personagens através da ótica do autor. Vem com a gente!

1 – Qual a sua inspiração pra escrever o livro? E pra qual faixa etária o livro é apropriado?

“Bateria 100% Carregada” surgiu a partir de duas ideias: discutir a questão da saúde mental (principalmente por meio de um personagem TDAH) e a persistência – infelizmente – do preconceito racial. De um lado, ainda há certo desconhecimento quando falamos de algum transtorno mental e, volta e meia, nos deparamos com episódios de injúria racial noticiados pela mídia. Levar essas discussões para a sala de aula é fundamental e espero que o “Bateria” possa fazer isso. Acredito também que os alunos de 10 a 12 anos vão gostar muito, mas uma boa história sempre atinge todos os públicos.

2 – O livro conta a história de dois personagens. Conta pra gente o perfil de cada um.

Danilo é TDAH, está no 6° ano, enfrentando os desafios de estar numa escola nova, fazer novas amizades e, ao mesmo tempo, descobrir esse funcionamento mental diferenciado que implica mudanças comportamentais. Já Ariadne tem um canal no YouTube, divulgando dicas de belezas e fazendo resenhas de livros, mas vai ser vítima de haters e de um ataque ao seu canal. Esses dois adolescentes vão sentir na pele que a infância está ficando para trás e que precisam assumir o protagonismo das suas vidas.

3 – Quais pesquisas você fez pra escrever duas histórias tão reais?

Muitas! Li livros, assisti a filmes e séries, conversei com professores e psicólogos, foi um trabalho árduo. Fora que, como professor, lido diariamente em sala de aula com adolescentes e sempre essas questões surgem. No caso do “Bateria”, ainda tive que me reinventar, construindo a história com uma estrutura diferenciada (cem capítulos curtos) para que um aluno TDAH, que apresenta dificuldade na leitura de textos longos, também possa curtir as aventuras e desventuras de Danilo e Ariadne.

4 – Você já sente um retorno dos seus leitores? Eles se identificam com o livro?

Os primeiros comentários já começaram a chegar. Entre eles, se destacam justamente a identificação dos leitores com os personagens (adultos dizem até que se recordam da adolescência lendo o livro), a empolgação com a leitura (como os capítulos são intitulados por 1%, 2%, 3%…, o pessoal brinca falando “já tô em 50%, 80%”) e a procura dos professores que estão ansiosos para trabalhar o livro com seus alunos.

5 – Esse livro pode ajudar os professores a trabalharem temas que estão em alta no dia a dia de muitos estudantes?

Com toda certeza! Inclusive, no livro, tem uma professora de Português, Lila, que passa inúmeros trabalhos diferentes e divertidos para os alunos. Essas idéias poderão ser utilizadas também em sala de aula. Modéstia à parte, “Bateria 100% Carregada” está com tem a energia toda para ser sucesso nas escolas.

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