Dicas de Leitura

Grandes obras e seus artistas nas dicas dessa semana

Essa semana a gente conheceu mais uma grande artista brasileira, a grande escritora Clarice Lispector. E, assim, sugerimos como leitura importante um de suas obras: Perto do coração selvagem. A amoralidade diante da maldade. O instinto na condução da trama, com uma certa dose de automartírio. A história de Joana — não a Virgem d’Orleans, mas a personagem de Clarice Lispector nesta obra de estreia, marcou a ficção brasileira em 1944. A narrativa inovadora (ainda hoje) provocou frisson nos círculos literários. A técnica de Clarice Lispector funde subjetividade com objetividade, alterna os focos literários e o tempo cronológico dá lugar ao psicológico (o presente entremeado ao intermitente flashback).

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A prosa leve discorre com fluência e fluidez nos meandros da protagonista, na sua visão de mundo e interação com os demais personagens. Tudo isso revelou Clarice Lispector como mais que mera promessa na prosa da Geração de 45. É o texto do sensível e do imaginário, ora enfrentando ora diluindo-se aos incidentes reais de Joana. A leitura é caleidoscópica. O livro, como os demais títulos de Clarice Lispector relançados pela Rocco, recebeu novo tratamento gráfico e passou por rigorosa revisão de texto, feita pela especialista em crítica textual Marlene Gomes Mendes, baseada em sua primeira edição.

migrando

E, como a gente leu no texto sobre a vida de Clarice Lispector, ela nasceu na Ucrânia, mas migrou para o Brasil. Por isso recomendamos a obra Migrando, de Mariana Chiesa Mateos. Mudar de país, mudar de paisagens. Deixar para trás a língua conhecida, os rostos familiares, e se abrir para novas caras e novos sons. Esse é o desafio de quem migra: milhões de pessoas que todos os anos – em busca de melhores condições de saúde, segurança ou trabalho – se veem obrigadas a recomeçar a vida longe de casa, num outro país. Neste livro com duas capas e dois pontos de partida distintos, que se deixa folhear de trás para a frente e de frente para trás, a artista argentina Mariana Chiesa Mateos realizou uma obra poética aberta a múltiplas interpretações e que, assim como o próprio fenômeno da migração, propõe ao leitor a experiência de vários pontos de vista ao mesmo tempo. Desenvolvido em colaboração com a Anistia Internacional, e dedicado aos que deixaram a sua terra para reconstruir a existência em outro lugar, este livro com desenhos nítidos, comoventes e essenciais mostra, com muita delicadeza, como a palavra migrante pode ser sinônimo de sofrimento e fragilidade, mas também de coragem e de futuro.

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Por último, sugerimos O arame de Alexandre, de Sieb Posthuma. Com fios de arame, chapas metálicas e um punhado de cores, Alexander Calder (1898-1976) construiu uma obra que revolucionou a escultura moderna. Com texto e ilustrações do premiado autor holandês Sieb Posthuma, O ARAME DE ALEXANDRE, livremente inspirado em sua vida e seus trabalhos, aproxima o leitor das descobertas desse artista genial, mostrando que a invenção de novas formas não surge do nada, mas está sempre ligada a um fazer.

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