Dicas de Leitura

Histórias cheias de sombras, chapeleiros e rouxinóis

A semana já começou e você ainda não leu nada? Nem sabe o que ler? Pode deixar, a gente dá uma mãozinha e várias sugestões legais. Para começar, a primeira indicação é a obra Três sombras, Cyril Pedrosa. Joachim e seus pais levam uma vida tranquila em uma pequena casa no campo. A aparição de três sombras no alto de uma colina, no entanto, corrói a harmonia da vida em família e enche os pais de dúvidas. Seriam viajantes? Por que estão rondando a casa? A cada tentativa de aproximação, as figuras misteriosas desaparecem. Logo, eles percebem que as sombras estão ali para buscar Joachim. Recusando-se a aceitar esse fato, o pai foge com o filho em uma viagem febril e desesperada, sempre com as sinistras sombras em seu encalço. Joachim deixa assim seu mundo idílico pela primeira vez para viajar por terras hostis em um navio precário, onde conhecerá um mundo cercado de adultos trapaceiros e imorais. Três sombras é um romance de aventura, com contornos épicos, e que explora sutilmente questões de ordem filosófica e moral.

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Na sequencia, a dica é o livro À mesa com o chapeleiro maluco – Ensaios sobre corvos e escrivaninhas, de Alberto Manguel, ilustrado por João Baptista da Costa Aguiar. Para Erasmo de Roterdã, a loucura – o alegre extravio da razão – explica muitas das atividades em que incorrem os seres humanos: a guerra, o amor, a política, as artes. Bertrand Russell, ao completar noventa anos, comentou: “Ao longo de toda a vida, ouvi dizer que o homem é um animal racional; até hoje, porém, não tenho uma só prova de que seja mesmo”. A verdade é que em todas as épocas houve loucos, e a atual não é exceção. Neste livro de ensaios saborosos, Alberto Manguel parte das frases mais famosas de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, para inventariar um universo de personagens, artistas e obras que se nutrem do tipo de demência sublime que, desde a Antiguidade, desafia regras e instituições. Assim, o leitor encontrará Pinóquio, o capitão Nemo e Dom Quixote ao lado de Stevenson, Borges, Gaudí e Van Gogh, e partirá em viagem pelo mundo de sonhos e realidades em constante mutação que chamamos de “cultura”. Um livro de brincadeiras finas e reflexões bem fundamentadas sobre o prazer inigualável da leitura.

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Por fim, a nossa sugestão é O rouxinol e o imperador, de Hans Christian Andersen. O Rouxinol e o Imperador é uma das mais conhecidas histórias de Hans Christian Andersen. Trata com simplicidade de temas complexos, como as relações de poder e hierarquia, a superficialidade das cortes antigas em contraponto com a beleza do mundo natural e as trocas possíveis entre os seres de diferentes classes sociais. A leitura imagética de Taisa Borges para este conto de fadas faz parte das comemorações mundiais pelo bicentenário do nascimento de Andersen, comemorado em 2005.

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