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Vamos sambar?

“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”, já dizia o poeta Dorival Caymmi na canção Samba da Minha Terra. E na semana em que se comemora o Dia Nacional do Samba (02 de dezembro), não podemos deixar de falar desse ritmo que faz parte da cultura brasileira.

O samba nasceu na Bahia, no século 19, da mistura de ritmos africanos. Mas foi no Rio de Janeiro que ele criou raízes e se desenvolveu, mesmo sendo perseguido. Isto mesmo, perseguido. Quem era pego dançando ou cantando, na década de 1920, podia ser preso. Isso porque o samba era ligado à cultura negra, que era malvista na época. Só mais tarde é que ele passou a ser encarado como um símbolo nacional, mas isso só aconteceu lá pela década de 1940.

E desde então o samba só vez evoluir. E diversos estilos de samba foram surgindo, o que o faz um dos ritmos mais ricos do mundo. Vamos conhecer um pouco de cada um deles?

SAMBA-DE-RODA: Muito parecido com a roda de capoeira, é a raiz do samba brasileiro e está registrado na Unesco como patrimônio da humanidade. Surgiu entre os escravos na Bahia por volta de 1860 e logo desembarcou também no Rio de Janeiro.

SAMBA DE BREQUE: Um dos primeiros estilos nascidos no Rio foi criado no final dos anos 20 em botecos da cidade. No meio do samba rolavam “paradinhas” onde o cantor falava uma frase ou contava uma história. Um dos mestres foi Moreira da Silva.

PARTIDO-ALTO: Na década de 1930, o partido-alto se popularizou nos morros cariocas. Entre um refrão e outro, os músicos criavam versos na hora, quase como repentistas. As antigas festas de partido-alto chegavam a durar dias! A partir dos anos 70, Martinho da Vila virou um músico marcante do estilo. A principal característica é a improvisação.

SAMBA-ENREDO: Na década de 1930, quando surgiram os primeiros desfiles de escolas de samba no Carnaval do Rio, nasceu o samba-enredo. No início, os músicos improvisavam dois sambas diferentes: um para a ida e outro para a volta na avenida onde as escolas desfilavam. Com o passar dos anos, o samba-enredo ganhou uma batida mais acelerada que outros sambas – o que ajuda as escolas a desfilarem no tempo previsto. A partir dos anos 80 a coisa mudou, mas, até então, samba-enredo só abordava a história oficial do Brasil.

SAMBA-CANÇÃO: Outra cria dos botecos cariocas, o samba-canção apareceu na virada dos anos 30 para os 40. Cartola e Noel Rosa fizeram grandes músicas do estilo. A batida mais lenta e cadenciada do samba-canção lembra bastante o bolero, outro ritmo musical que fazia sucesso nos anos 40.

BOSSA NOVA: Cansados dos temas abordados no samba-canção, alguns compositores decidiram fazer músicas sobre temas mais leves no final dos anos 50. Nascia a bossa nova. Mestres como Tom Jobim e João Gilberto faziam um samba bem diferente, com grande influência do jazz.

PAGODE: O pagode que hoje faz sucesso pintou como estilo de samba na década de 1980, no Rio, com cantores como Jorge Aragão e Zeca Pagodinho. Nos anos 90, em São Paulo, ficou mais “comercial” – com direito até a coreografia dos músicos – e explodiu nas rádios. O pagode dos anos 80 era muito influenciado pelo partido-alto. Já na década seguinte passou a ter uma pegada mais lenta e romântica. Nos anos 80, o principal era a vida na comunidade; nos 90, as letras românticas.

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