Curiosidades Dicas de Leitura

Histórias levadas pelos ventos e sabedorias

Essa semana vocês conheceram um pouco sobre os cata-ventos. Baseado no tema, a gente indica uma leitura de mesmo nome. Trata-se do livro Rua dos cataventos e outros contos, de Mario Quintana. Neste volume estão reunidos cerca de 200 poemas entre os mais marcantes produzidos pelo poeta. Mario Quintana foi um dos maiores poetas brasileiros da segunda metade do século, ocupando a restrita galeria de grandes poetas que obtiveram enorme reconhecimento popular, como Vinicius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Manuel Bandeira.

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Escreveu algumas obras-primas da poesia brasileira como os livros A rua dos cataventos (1940), O sapato florido (1947), Espelho mágico (1948), O aprendiz de feiticeiro (1950), entre outros. A seleção cuidadosa de Sergio Faraco revela ao leitor uma parte significativa da obra desse grande poeta. Transitando, habilmente, por temas do cotidiano e sugerindo uma reflexão sobre as questões mais interessantes da vida – como o passado e a morte –, Quintana consegue se expressar de maneira simples e comoventemente terna, num lirismo ao mesmo tempo encantador, realista, crítico.

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A segunda dica é a obra Aos quatro ventos, de Ana Maria Machado. Publicado em 1993 e premiado em 1994 pela União Brasileira de Escritores e pela Academia Brasileira de Letras, ‘Aos quatro ventos’ é uma história de amor. Ou de amores, que se manifestam pela paixão dos amantes, pela amizade que atravessa tempos e oceanos, pela palavra, pela vida e pela liberdade. O livro é também uma homenagem comovente ao mundo das letras e dos livros. A escrita é uma paixão? Uma obsessão insana? Uma necessidade incontornável, como se obedecesse a forças sobrenaturais? Estas são questões que parecem perseguir o protagonista Guto. Diretor de uma empresa, subitamente ele descobre a escrita e, com ela, o fascínio de explorar o inesgotável universo da linguagem, atentando para o significado e o som das palavras, experimentando suas possibilidades, construindo um estilo e, sobretudo, servindo-se delas para o prazeroso — e muitas vezes difícil — diálogo com passado. A presença da memória afetiva é tão forte, aliás, que chega a ser “personagem” central, rivalizando com Vanda, esposa de Guto e professora de ciências, que sábia e calmamente vai acompanhando a entrega absoluta do marido aos encantos da escrita e da leitura. Até que, numa guinada inusitada, ela impede um desfecho talvez desastroso.

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Por fim, a dica é a publicação O violino cigano – e outros contos de mulheres sábias,  Regina Machado, ilustrado por Joubert e Fabio Uehara. O violino cigano e outros contos de mulheres sábias é uma coleção de histórias de tradição oral com protagonistas femininas. Diferentemente dos contos tradicionais mais comuns – em que as mulheres são delicadas, frágeis, e normalmente dependem de um homem para serem salvas – as protagonistas dessas dezesseis histórias são verdadeiras heroínas. Os contos de O violino cigano foram coletados da tradição oral de diversos povos e países, e apresentam um elenco variado de encantadoras protagonistas, em cujas histórias se transmitem, de uma perspectiva feminina, grandes achados da sabedoria própria das narrativas populares.

 

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