Dicas de Leitura

Leituras floridas e coloridas

Essa semana, um de nossos temas foram as flores. Por isso, nossas dicas de livros serão bem floridas. A primeira sugestão é o livro A origem do Beija-Flor, de Yaguare Yama. Os mitos de origem do mundo e dos seres que nele vivem são uma grande riqueza dos povos indígenas.

A origem do beija-flor

Neste livro, Yaguarê Yamã registra uma dessas histórias: o mito da origem do beija-flor, que vive na memória dos antigos pajés do povo Maraguá, habitante do vale do rio Abacaxis, no Estado do Amazonas. Esse povo valoriza muito o contador de histórias, personagem sempre requisitado no cotidiano e nos festejos da tribo, e é conhecido como “os índios das histórias de fantasmas”. Neste livro a delicada história é apresentada em português e em maraguá, dialeto misto de Aruak com Nhengatu, e integra a coleção Peirópolis Mundo, que busca valorizar línguas minoritárias de todas as partes do planeta.

A mitologia das flores

A segunda indicação é a obra Mitologia das Flores, de Natalia Chagas Máximo. Alguém disse certa vez- todas as flores que nasceram nesta Terra são tentativas, possibilidades, consolos, presságios, duelos, rastros, respostas. Somente uma pergunta- O que é a beleza? Por meio de belíssimas ilustrações e de um texto delicado e poético esse livro nos apresenta curiosidades, lendas e o lirismo de diferentes flores.

A maior flor do mundo

Outra sugestão bem interessante é a leitura do livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago, ilustrado por João Caetano. A maior flor do mundo é uma magnífica história para crianças, mas, antes de tudo, é um legítimo Saramago. Transformando-se em personagem, o autor nos conta que uma vez teve uma ideia para um livro infantil, inventou uma história sobre um menino que faz nascer a maior flor do mundo. Não se julgava capaz de escrever para crianças, mas chegou a imaginar que, se tivesse as qualidades necessárias para colocar a ideia no papel, ela resultaria verdadeiramente extraordinária: “seria a mais linda de todas as que se escreveram desde o tempo dos contos de fadas e princesas encantadas…”. É dessa fantasia de grandiosidade que nasce o livro. Os leitores são chamados para uma divertida brincadeira, pois Saramago narra-lhes a história do menino e da flor não como se ela fosse a história de verdade, mas como se fosse apenas o esboço do que ele teria contado se tivesse o poder de fazer o impossível: escrever a melhor história de todos os tempos. Entrando no jogo com o autor, os pequenos leitores vão saber que ninguém nunca teve nem terá esse poder. Vão saber também que a literatura é o lugar do impossível: o menino desta história faz uma simples flor dar sombra como se fosse um carvalho. Depois, quando ele “passava pelas ruas, as pessoas diziam que ele saíra da aldeia para ir fazer uma coisa que era muito maior do que o seu tamanho e do que todos os tamanhos”. Como nos velhos livros de literatura infantil, Saramago conclui: “E é essa a moral da história”.

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