Dicas de Leitura

Histórias de índio e obras do poeta Manuel Bandeira

Essa semana comemora-se o Dia do Índio e o aniversário de Manuel Bandeira. Pensando nisso, as leituras desta semana serão bem focadas nas temáticas. A primeira delas é As fabulosas fabulas de iauarete, de Kaka Wera Jakupe. Nesta obra, a onça que virou guerreiro kamaiurá, casou com Kamakuã, a bela, que gerou Iauaretê-mirim, que perseguiu o pássaro Acauã para conseguir a pena mágica e voar até Jacy-Tatá, a mulher-estrela, senhora do segredo dos poderes dos pajés) conta os melhores momentos de uma das mais divertidas lendas do ideário Guarani: as aventuras da onça Iauaretê, que virou gente, e de seus filhos, Juruá e Iauaretê-mirim. Acompanhadas por desenhos de Sawara, filha de 11 anos do autor, as fábulas aqui selecionadas falam de medo, coragem, dúvida, amor, morte, paz, oportunidade, erros e acertos que vivenciamos, divertindo e emocionando adultos e crianças.

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A segunda sugestão é Tutu o menino índio, de Toni Brandao. A narrativa conta a trajetória de vida de um menino indígena – um personagem bem humorado e divertido. Um índio tutu. Segundo o autor, na Amazônia já existiram mais de seis milhões de índios, divididos em muitos povos, com hábitos e histórias bem diferentes uns dos outros. Além desses povos que realmente existiram, há muitas lendas sobre outros que ninguém sabe se realmente chegaram a existir. Uma dessas lendas é a dos índios tutus. A narrativa, em tom de aventura, tão bem tecida pelo autor, vai contar sobre um tutu. Desta vez nasceu um tutu diferente! Na primeira festa, depois de ser pintado com urucum e ganhar o nome secreto, ele não ganhou “nome de chamar”. Só a palavra Tutu. E isso era muito estranho!

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Por fim, a sugestão é uma obra do escritor e poeta Manuel Bandeira: Estrela da tarde. Trata-se de um livro da sua maturidade, obra crepuscular publicada em 1960, quando o poeta já superara a casa dos setenta anos, começava a meditar com mais profundidade na passagem desta vida para o outro lado do mistério e se mostrava convicto de ter cumprido bem a difícil missão de viver. Mas, enquanto a “Indesejada das gentes” não vem, o poeta deixa-se absorver, ainda uma vez, por motivos permanentes de sua obra, a paixão pela música, compondo uma “Letra para Heitor dos Prazeres” musicar, o amor, a amizade fraternal que o leva a cantar amigos perdidos, Mário de Andrade e Jaime Ovalle. O poeta também se arrisca em tentadoras experiências na mais radical corrente poética da época: o concretismo. Os poemas concretos do livro demonstram a lucidez e a curiosidade vivíssima do poeta. Estrela da tarde, com sua preocupação pela morte, simbolicamente se contrapõe à plenitude de vida de Estrela da manhã, encerrando um ciclo de extraordinária força criadora, com o poeta purificado em espírito, esperançoso de uma vida mais alta: “Sou nada, e entanto agora/ Eis-me centro finito/ Do círculo infinito/ De mar e céus afora./ – Estou onde está Deus”.

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